Eram tantos sentimentos novos que não conseguia criar.
Acordou tarde naquele dia, sentia que sua mente doía, mas não sabia por que, pensou em parar de fumar, de beber, de sair, pensou em se isolar, em viajar, em dormir, ou até em ir dançar. Olhou para a janela, não conseguia ver o que havia além delas, parava na cortina que tampava a luz vinda do dia.
Uma pessoa assim sem criar não consegue viver em paz, pensou.
Tirou a caneta e o caderno da bolsa, acendeu um cigarro e começou a rabiscar, até que se via uma escada infinita, achou que seria dentro da sua cabeça que havia uma escada e estava longe de alcançar o final dela, mas queria chegar e pensava, como?.
Pensou em se exercitar, em andar, alongar, se alimentar, passear, mas o quarto escuro parecia que o engolia, prendia seus pés no chão de madeira frio, esperava que seu corpo reagiria e sairia correndo daquele quarto vazio, mas o vazio agarrava sua garganta e nem gritar por ajuda conseguia. Como? Ele dizia.
Olhou para um livro em cima da mesa, leu uma frase em negrito no seu verso, “Há saída?”, deu um sorriso irônico e olhou para a porta.
Saída ele sabia que havia, mas não sabia para onde iria.
Tenho pernas posso ir para qualquer lugar, posso encontrar alguém, posso ir para um museu, para uma biblioteca, ou passear de trem.
Andou até a janela, abriu um pedaço da cortina enquanto dava seu último trago, olhou para fora, jogou o cigarro e acompanhou o cair da bituca até alcançar o chão, a luz incomodava seus olhos, viu carros passando, pessoas andando, casais brigando, motos buzinando, com indiferença voltou a cama e se deitou. Pensou. Que inferno! Minha cama me atrai mais que a vida lá fora, logo eu que pensei ser tão vivo, prefiro estar em um leito esperando pela morte. Ficou olhando para o teto durante algum tempo, até que o teto já não passava de um teto branco, então virou-se para o lado e ficou olhando para a porta. Há saída!
Levantou, esticou seus braços como se fossem alcançar o teto depois foi descendo até alcançar seus dedos, contou até quinze até que sua palma encostasse o chão de madeira frio, levantou –se, sentia-se melhor. Caminhou até a porta, saiu do quarto, foi até o banheiro, sentou-se na privada e olhou para o espelho que refletia a parede branca, pensou que o teto e a parede são iguais aonde quer que ele fosse olhar, de qualquer perspectiva, de qualquer ponto de vista. Relaxou, defecou feito um cabrito.
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